Mais do que digitalizar: humanizar

Mais do que digitalizar: humanizar

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by LCG. Setembro 2019


Mais do que digitalizar: humanizar

 

A transformação digital está na ordem do dia. Vivemos numa sociedade cada vez mais conectada e digital, na qual o mundo físico e o mundo virtual se interligam. Para as empresas, esse cenário de novas ferramentas tecnológicas e inovações abre um sem número de oportunidades e resulta num mercado mais competitivo, mas também mais complexo.

Em paralelo com o surgir de grandes oportunidades, aquela que é a 4ª revolução industrial traz consigo muitos desafios para a sociedade e para as organizações em particular. Se é precisamente pela complexidade destes desafios que muitas empresas ainda têm resistência em investir na transformação digital, uma coisa é certa: a aplicação dos conceitos de transformação digital aos negócios é uma questão de sobrevivência e as empresas que não se adaptarem a esta nova realidade, correm o risco de não acompanhar a concorrência e mesmo, de desaparecer.

 

Entender a transformação digital

O termo transformação digital refere-se à utilização da tecnologia com o objetivo de atingir um melhor desempenho através da digitalização de processos e negócios.

Deve ser compreendida como uma mudança estrutural e cultural, que atribui à tecnologia um papel essencial na estratégia global da organização.

Os impactos da digitalização no mercado são expressivos – produtos, serviços, relação com o cliente, processos e modelos de negócio vão sendo repensados (e por vezes totalmente reestruturados) com base nestas novas ferramentas e soluções.

 

O papel das organizações

As empresas não podem encarar a digitalização de forma passiva e para sobreviver (e prosperar) é essencial que sejam capazes de repensar a forma como tomam decisões e estruturam todos os aspetos do seu negócio. Não se trata apenas de uma restruturação tecnológica: aproveitar as potencialidades da tecnologia exige também uma mudança cultural – só quando pessoas e tecnologia trabalham para o mesmo fim é possível fazer evoluir um negócio de forma sustentada nesta era em que os ciclos de transformação são cada vez mais curtos.

Transformação digital vai muito para além de automatizar processos ou ter acesso a dados em tempo real: trata-se fundamentalmente, de uma mudança de mentalidade que coloca o ser humano na base das decisões e que entende a tecnologia como uma ferramenta ao serviço das pessoas.

 

As pessoas antes das ferramentas

Por mais que automatizem certas tarefas, as organizações precisam de estar conscientes de que a transformação digital é feita pelas pessoas. Por isso, o investimento mais prioritário é aquele que é feito no desenvolvimento do capital humano - quer através da contratação de novos profissionais dotados de conhecimentos e de uma mentalidade alinhada com este novo paradigma, quer através da formação contínua dos colaboradores que já fazem parte da empresa.

Se as gerações nascidas depois da década de 80 sempre viveram num mundo de mudanças constantes, o grande desafio é para as gerações anteriores, que têm de se adaptar para encontrar o seu lugar no mercado de trabalho. Sobretudo os profissionais que não são nativos digitais e que durante muito tempo se habituaram a uma determinada cultura e a processos estáveis, vão ter resistência à mudança. É por isso, essencial, promover mudanças de forma a que todos os colaboradores encontrem o seu lugar numa empresa em transformação e que, dentro da sua realidade, consigam alinhar-se com o digital.

 

Este conjunto de transformações vem exigir por parte dos colaboradores capacidades criativas e relacionais que os processos mecânicos não exigiam, e as empresas têm de conseguir prepará-las para esta nova realidade.

 

Ao mesmo tempo, estima-se que cerca de 65% das profissões existentes em 2030 ainda não foram criadas. As empresas têm aqui um papel central no processo de reconversão dos colaboradores, dotando-os de novas competências e dando-lhes a oportunidade para se desenvolverem em novas funções dentro da organização.

 

Tudo começa numa boa liderança

Os líderes nesta era digital não podem querer continuar a fazer tudo como faziam há 10 ou mesmo 5 anos. Porque o mundo não para de mudar. Insistir em métodos de trabalho e numa cultura que já não acompanha as transformações globais é correr o sério risco de não sobreviver.

As mudanças culturais dependem em grande medida da mentalidade dos gestores e dos líderes. Só com uma liderança eficaz, disponível para mudar, é possível ter equipas envolvidas, e colaboradores motivados e disponíveis para a mudança. É fundamental desenvolver líderes comprometidos com a mudança e que apoiem os colaboradores – qualquer que seja a sua geração e nível de conhecimento do digital - na adaptação a novas ferramentas e métodos, não permitindo que a digitalização se sobreponha ao valor das pessoas.

 

O impacto da transformação digital da sociedade e das organizações vai continuar a fazer sentir-se no dia-a-dia das empresas e das pessoas. É essencial que as empresas invistam na transformação digital de forma a assegurar a prosperidade do seu negócio. Mas esta transformação é muito mais do que uma simples transformação tecnológica. Trata-se de uma nova visão dos modelos de negócio e dos processos, e de desenvolver novas formas de aproximar pessoas, dados e processos, envolvendo toda a organização e colocando o capital humano – colaboradores, mas também clientes, e toda a sociedade - no centro de todas as decisões.